29 Novembro 2006

DC++ - O compartilhador que não precisa de você

E, muito provavelmente, você também não precisa dele.

Logo quando surgiu a febre dos compartilhadores de arquivos (Mp3? Nunca! É crime!), eu usava o velho KaZaA. Bom, ele me atendeu, e muito bem, e durante um bom tempo. E não sei porque a gente sempre quer algo mais, mas aconteceu algo que eu nunca pensei que aconteceria: o bom KaZaA já não servia mais pra mim (na verdade, acho que era por causa dos vírus).

E olha que eu ainda insisti. Enquanto muita gente tinha problemas com vírus, eu era lá todo cuidadoso nas minhas pesquisas. Depois de um mês querendo baixar a mesma mp3, vi que não tinha mais jeito mesmo. Desisti, das mp3 e de todo o resto de downloads - era tarefa quase impossível pela discada. E eu ainda ousava baixar clipes.

Aí chegou a banda larga (na verdade, banda larga só quando é mais de 2Mbps). Ah, Velox, você me ajudou um bocado. Agradeço mais pela enxurrada de informação - se não está na internet, então não existe. E senti de novo a necessidade de baixar minhas musiquinhas, e procurava por paz. Acho que em um site sobre animes foi onde descobri o compartilhador do qual até desconectado sou fã.

"DC++" significa "Direct Connect" - "Conexão direta". Isso porque o programa só serve de comunicação entre o download direto de um arquivo de um usuário pra outro. O "++" acho que se deve pelo fato dele ter sido programado em C++, uma popular linguagem de programação. Ou então pela sua maravilhosa funcionalidade.

Algumas pessoas me perguntam como eu consigo pegar umas músicas tão difíceis de se achar sem nunca ter aprendido a mexer direito no eMule. Nunca precisei do eMule, Shareaza, Limewire, o diabo que fosse. O DC++ me é completo. Não é perfeito, mas é o mais próximo que se pode chegar disso, porque ele tem uma forte política de compartilhamento.

Sim, política.

Ele é meio chato pra configurar no início - normalmente, alguém tem que configurar pra você se você não tiver alguns conhecimentos de redes, IPs, configurações do roteador, proxies etc. Na verdade, essas configurações não são essenciais, mas sem elas você não pode usufruir da verdadeira potencialidade do sistema. Mas depois que você configura isso, é tranquilo.

Logo depois de devidamente configurado (ou não) , o programa-cliente (DC++) carrega uma lista de servidores públicos (nele, os "servidores" são chamados de "hubs"). É basicamente através desses hubs onde as coisas efetivamente acontecem - quem conhece o mIRC vai logo perceber algumas semelhanças. Você se conecta a um hub, carrega uma lista de usuários e realiza as suas pesquisas.

Alguns pontos que merecem destaque na rede DC++:
- Existem usuários ativos e usuários passivos. Os passivos só podem pesquisar/baixar dos usuários ativos. Os usuários ativos podem pesquisar/baixar de qualquer usuário disponível;
- O que diferencia um usuário passivo de um ativo é a maneira como seu programa está configurado - quebrar a cabeça um pouco no começo vale a pena. Além disso, pode haver limitações de acordo com o seu tipo de conexão;
- Alguns hubs não são públicos - podem exigir senha;
- Alguns hubs públicos podem exigir um pequeno cadastro - e geralmente não se faz download antes desse cadastro, com login (apelido/nick) e senha;
- As pesquisas têm um intervalo mínimo - que eu já vi variar de 80 a 1500 segundos - o que faz você pensar direitinho antes do que quer pesquisar;
- Muitos hubs não permitem pornografia - mas há (não muita);
- Não é permitida pedofilia;
- (Esse é o meu preferido) Muitos hubs exigem cotas mínimas de compartilhamento. Muitos hubs nacionais exigem 1GB de arquivos, mas há um conhecido hub internacional que exige um mínimo de 30GB de arquivos por usuário. Em outros hubs dedicados a compartilhamento de DVDs completos, esse limite não raro atinge 50GB, 100GB, a depender do hub;
- Não é permitido falso compartilhamento - mas há (não muito);
- (Esse é o meu preferido²) Não é permitido interromper um upload. Se alguém estiver fazendo download de algum arquivo seu e você cancelar, você corre o risco de ser banido do hub ou desconectado do hub - e seus dowloads vão para o beleléu;
- Alguns hubs públicos podem não aparecer na pesquisa de hubs públicos - podem ser encontrados em sites pela web.

Bom, alguém pode achar isso muito chato. De fato, é um pouco mesmo, mas eu acho BEM melhor que as intermináveis filas do eMule, as quais são passíveis de scripts. Além disso, as cotas de compartilhamento aliadas à proibição de falso compartilhamento favorecem a integridade da rede. Geralmente, um hub com bastante gente tem de 10 a 12 mil usuários. Isso não necessariamente significa bastantes resultados nas pesquisas, mas é um forte indicador.

E mais: imagine só 10 mil pessoas, cada uma compartilhando um MÍNIMO de 20 GB - como geralmente é.
Isso dá cerca de 195 Terabytes de arquivos compartilhados (se você não tem noção, isso é MUITA COISA!) , em uma rede confiável, verificada por pessoas que só buscam um compartilhamento verdadeiro. Mas não raro a quantidade de arquivos compartilhados em um hub grande chega aos 500 Terabytes (isso, amigos, é um absurdo).

Não me canso de falar bem do programa: na parte lateral da janela principal de cada hub, é exibida uma lista dos usuários. Nela é mostrada também quanto cada usuário compartilha. Há um seres que eu julgo não ser deste planeta, os quais atingem sozinhos 2 Terabytes de arquivos compartilhados. Não sei se isso é possível em um pc doméstico - duvido muito. E, através dessa mesma lista de usuários, você pode baixar uma lista com todos os arquivos do usuário - tudo dividido por pastas, tal qual o dono os organizou. Você pode baixar pastas completas - e pastas completas também aparecem como resultados das pesquisas. Isso facilita muito a vida de quem gosta de baixar álbuns completos.

Pra facilitar e organizar ainda mais, há hubs com objetos específicos e hubs de países. Um conhecidíssimo bub brasileiro é o MP3 Brasil, mas também há o BrazilConnection e muitos outros. Há hubs só pra metal, música gospel, música norte-america, latina, dance, anime, o que for. Até hub pra música de vídeo-game (sim, um dos meus favoritos, o VGM). Enfim, uma infinidade de coisa dentro de uma infinidade de hubs.


Bem, no mais, há um link abaixo com o principal programa-cliente da rede DC++, que se chama Dc++. E também um link de um breve manual, algumas considerações aos novos usuários da rede. Aos que se sentiram animados, perserverança, pois não é tão fácil - mas é muito recompensador. Aquela música que você só escutou uma vez, adorou, só sabe o nome e não acha em lugar nenhum com certeza está lá em algum lugar, esperando por seu faminto download.

Site com tutoriais: http://www.hubmp3brasil.cjb.net/
Página de Download: http://www.aphp.hpg.ig.com.br/downloads.html

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20 Novembro 2006

Ponto

No meu último texto, escrevi que a gente põe um ponto final nas coisas da vida. Na verdade, a gente não põe ponto final em nada na vida; nela, um ponto nunca vem sozinho. Podem vir dois pontos: para explicar alguma coisa. Podem vir reticências, para explicar que nada é eterno... ou que nada é tão abrupto... Podem ser ponto-e-vírgula; um casal insosso, eu sei, mas que combinam, um completa onde o outro falta.
Na vida, os pontos não vêm sozinhos. Nada fica sozinho.

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12 Novembro 2006

Último relato de saudade

Infelizmente, na vida, tudo tem que ter um fim. A própria vida, coisas que fazemos durante a vida, tudo é efêmero demais para os sonhos que temos. Vivemos em busca de algo que faça as coisas valerem a pena sem nos darmos conta de que o que realmente vale a pena é a vida. Hoje, tem cerca de um mês que o mundo acabou, mas os relógios continuam funcionando. Foi bom, muito bom enquanto durou, mas reincido em me citar: é triste a condição humana de algumas vezes termos que nos fazer de não-humanos para poder continuar.

Tenho inúmeros textos – escrevi muito sobre isso, mas nunca vou publicar nada nem mostrar pra ninguém – meu computador foi meu ouvinte e meu confidente por um momento. Não ajudava muito, pois ele não dava conselhos. E justamente quando a gente está numa pior, as portas se abrem para novas oportunidades e pessoas na nossa vida; eu agradeço por isso, e essa pessoa sabe que esse parágrafo é dedicado a ela. É como se a gente estivesse planando em um vôo e precisasse mergulhar para depois subir. Há uma frase – a árvore que deseja ter seus galhos até o céu precisa estender suas raízes até o inferno. Não me lembro o autor.

Mas enfim, vamos à história, que não é a mais importante, nem a que eu particularmente mais goste, mas é bom a gente recordar das coisas quando todo o conjunto está no auge. São os bons momentos que valem a pena. Mas é preciso pôr um ponto final no que nos machuca, e por isso essa é a última história que eu conto sobre nós dois.

Em Aracaju, ela estava comigo. Não me lembro bem, mas era noite, caminhávamos pela orla. Meu sorriso mordia minhas orelhas. Não me lembro exatamente sobre o que conversávamos, mas sabia que conversávamos, e era muito bom. A companhia era infinitamente melhor. Eu estava viajando. Love remains a drug that's the high and not the pill [Seal – Kiss From a Rose].

Tão de repente quanto a quebra do parágrafo, um de seus brincos caiu no chão. Ou foram os dois? Não, foi um só. E aquela calçada com pedras pretas e brancas não ajudava em nada. Noite, procurando um brinco no chão – você já deve ter passado por isso. Era engraçado, nós dois agachados no chão e nada de achar. Aí surgiu uma senhora com um rapaz mais novo e perguntam se a gente estava procurando um brinco. Eu pensei que eles tivessem achado e fossem nos entregar – nada, eles foram procurar com a gente. E a danada da coroa não levou dez segundos. “É que a gente trabalha com bijuteria, e ela acha rapidinho essas coisas”, disse o rapaz. Eu e minha companhia nos entreolhamos e rimos. Agradecemos. Depois que eles se foram, rimos de novo e nos beijamos.

O que aconteceu depois disso não importa. Essa é uma cena que foi feliz, e é assim que eu gosto de lembrar. Porque as lembranças são as únicas coisas boas que restam de um relacionamento acabado. Resta mágoa também, mas isso não é bom. O sentimento acaba, a empatia acaba, a sintonia, mas não acabam as boas intenções. Pelo menos essas coisas não acabam de imediato pra quem saiu perdendo com o fim.

É preciso ter cuidado com o que temos certeza. Em um texto anterior eu disse que a gente só acha as coisas - a certeza é a confirmação sucessiva desse “achismo”. Do sentimento eu tinha certeza da reciprocidade. Mas ele acabou, pelo menos pra quem saiu ganhando com o fim. Hoje, a gentileza daquela senhora me parece mais verdadeira. Mas nem por isso deixa-se de tomar o Campari pelo seu gosto amargo – o doce vale a pena, pelo menos pra quem gosta. Sentimos o amargo depois do doce ou o doce após o amargo?

É interessante como a ordem das coisas põe um tom otimista ou pessimista na história. Em um outro tempo, eu diria que acabou, mas foi muito bom. Hoje, eu me dou conta de que foi bom, mas acabou. Mas eu continuo tomando Campari. Devo pedir uma outra dose, em um outro bar, com mais gelo e limão pra não amargar tanto.

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11 Novembro 2006

Você já viu música?

Uma foto do meu techo preferido da "Clair De Lune"

Eu gosto muito² de música. Se não mexesse com computadores, seria músico. Ou psicólogo. Mas enfim, há certas músicas que mexem com a gente, ou como diriam, "nossa vida tem trilha sonora". E uma dessas músicas que me toca é a "Clair de Lune", de Claude Debussy. Eu não sou um profundo conhecedor da sua obra, mas essa sua música é conhecidíssima, e não é à toa. Inclusive tocou na novela "Alma Gêmea", se não me engano [que desperdício!].

Um dia, no YouTube, estava procurando um bom vídeo dessa música. Há zilhões deles, pessoas tocando das mais variadas formas. E eis que me surge uma imagem estranha, com umas barras coloridas e um fundo preto. Não resisti à curiosidade e conheci um dos programas musicais mais fascinantes que já vi: O "Music Animation Machine" [MAM].

O vídeo que eu vi tinha sido feito utilizando o MAM. Ele é, basicamente, um programa onde a gente vê a música sendo tocada. Claro, não se compara a propriamente ouvir ou ver alguém tocando, mas é ótimo ver uma representação visual da música, de uma forma tão bem feita que é artística. As cores das barras representam os intervalos das notas; a altura vertical da barra representa altura da nota [mais grave em baixo, mais aguda em cima]; e, por fim, o comprimento da barra representa a duração da nota. Enquanto a nota está sendo tocada, a barrinha acende. É um mecanismo simples, mas garanto que quem vê gosta.

Você pode baixar o programa clicando aqui. Você pode baixar um arquivo MIDI [?] da internet e importá-lo no programa. Quando baixamos o programa, a própria "Clair de Lune" vem como exemplo, mas seu formato de arquivo é ".mamx" , que é o formato padrão do MAM. Ou seja, ele roda tanto arquivos MIDI ( .mid) quanto arquivos MAM ( .mamx ). Considerações extras à parte, o programa é ideal pra quem gosta de música instrumental, mais propriamente de piano, e desejar conhecer uma maneira nova de encarar música, mas curiosamente familiar.

Se quiser ver o vídeo, segue abaixo. É lindo.


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10 Novembro 2006

Então, é isso?

A gente vaga até acertar? Fica perambulando até encaixar no lugar certo? "Ah, não foi dessa vez, mas haverá uma próxima vez, isso eu garanto". O caralho. Será que coisas que mexem tanto com a gente podem ser fundamentadas em tentativa e erro? Eu acho que não. Duvido muito que seja assim, e duvido muito que tenha que ser assim.

Acho que as pessoas cometem erros sim. Aliás, tenho que acreditar nisso hoje, ainda que por enquanto, ainda que ninguém tenha cometido erros, ainda que eu tenha cometido erros - e eu os cometi. Tenho certeza que dias melhores virão, de uma maneira como eu não posso planejar nem prever, mas que eu posso ter esperança de como seja.

Uma amiga disse que nós somos complicados justamente quando não devemos ser. Nesse momento figurei todas as falhas humanas. Vi a burocracia, a ignorância, o desentendimento, o ódio, o alto preço do petróleo, tudo. Pra quê isso? Nada disso é mais do que justamente complicar as coisas na hora errada - talvez por puro capricho, talvez por uma visão mítica/mística/mágica/mitológica que tenhamos das coisas, ou que queremos ter. Por mais que nós tenhamos muitos planos e estejamos felizes, cair de cara na calçada sempre vai doer. Anote isto: nunca seremos invulneráveis, nem teremos nada assim.

Mas por que a gente complica as coisas? Porque a gente gosta. Coisas simples demais não são satisfatórias às pessoas. "Isto" porque "aquilo" não é tão eloqüente. A gente gosta de complicar. Se tudo fosse simples, não haveria desafio. Deve ser por isso que tem tanta gente que gosta de novela - nunca vi coisa que complica tanto. No final, tudo fica como era pra ser desde o início. As pessoas são barrocas por natureza.

Nunca estamos satisfeitos com nada. Isso é uma faca de dois gumes. Pode tanto representar lutar por dias melhores como também abrir em dois o bucho da galinha dos ovos de ouro. Pode acabar com o que temos e somos ou pode fazer com que tenhamos e sejamos mais.

Se a lição fosse fácil, o conto dos ovos de ouro seria descartável. Mas ele não é. Nunca sabemos quando é suficiente - talvez nunca seja, mas será que vale a pena por à prova certas coisas que sabemos ser valiosas? Não falo de acomodação, mas há situações especialmente delicadas que merecem nosso tempo e nossa atenção. E algumas vezes nós só complicamos. Talvez para ter graça, quando tudo parece fácil; talvez por medo da verdade: complicamos as coisas por covardia e magoamos as pessoas; talvez por mistificação: não é porque tem se mostrado grande e forte que não pode fraquejar. E nisso se resume tudo o que eu quero dizer.

Mas enfim, eu não acredito que as coisas dêem certo fácil. Porque somos complicados por natureza. É preciso ter consciência de quando as coisas são complicadas pra nós e para os outros, e devemos ter ciência disso tudo ao mesmo tempo. Seja compreensivo e espere compreensão. Teve compreensão, seja compreensivo. Caso contrário, complique as coisas você também e mande tudo pra puta que pariu. Mas isso não vai fazer as coisas melhores.

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09 Novembro 2006

Olha que gracinha!

Tão meiguinha...

Veja só que coisinha! Garanto que ela é solteira; e vai continuar assim por um bom tempo. Ela é japonesa, mesmo que não pareça por não ter os olhos puxados. Você pode alugá-la por míseros 3.500 dólares por cinco dias e escolher a roupa que ela vai usar. Mas não vá pensando nada de mal dela - é uma mocinha de respeito. Ela adora a Hello Kitty e é de Tóquio, Japão.

Actroid DER2

Fabricado pela Kokoro, uma companhia do Sanrio Group especializada em design e fabricação de robôs, o Actroid DER2 possui pele de silício e pode fazer expressões naturais, tudo isso sincronizado com seus movimentos e sua voz. Seus lábios, seu torso e sua movimentação facial são controlados por um mecanismo de pressão pneumática. [Eu não acreditei só vendo as fotos]

A fembot - do inglês "female robot" - foi apresentada em outubro desse ano, na sede da Sanrio, Tóquio. A empresa diz que pretende alugá-la para eventos e empresas. Ela é a evolução da Actroid DER, e apresenta uma gama muito maior de movimentos e expressões, além de ter uma movimentação mais suave - mas ainda um pouco artificial.
Como toda mulher, ela é bem dispendiosa. Além do aluguel, paga-se o transporte - o que seria uma mixaria do Japão para o Brasil =]. Agora, o mais impressionante é o vídeo abaixo. Tudo bem que às vezes ela vacila e a gente percebe uma certa falsidade nos movimentos. Mas inda sim é incrível.

Lindinha, não? Surpreso?

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08 Novembro 2006

Relatos de Feira - Parte 5 de lim x com x tendendo ao infinito

(Ouvindo: Joe Satriani - A Cool New Way - Super Colossal - 2006)

Farra e Forró

Dia de Finados. Um feriado mórbido, mas cuja véspera foi bem viva. Mais uma vez, o pessoal da sala marcou de ir fazer alguma coisa no fim da aula, e mais uma vez pouca gente foi. Bem, isso não interessou tanto, visto que se está cultivando uma certa fidelidade por parte de quem está participando dos "reggaes", como chamam(os). Aliás, esse bairro para o qual fomos é famoso pelos "raggaes". É curioso e óbvio: um bairro tipicamente estudantil, onde há muitas festinhas e bares. E não haveria de ser assim? E não haveria de ser justamente o contrário?

Bar. Eu, particularmente, evito beber. Tenho medo do que eu poderia fazer em elevado estado etílico. Já não sou muito coerente quando sóbrio, quem o dirá de mim chapadão? Mas o pessoal não negou um bom vinho (e um certo Cortezano Tinto que quase deu briga =] ), enquanto eu ficava com meu Guaraná Antarctica. Diferente da outra vez, não estávamos mais no "Caminho de Casa". Eu preferiria lá. E, como percebo estar se tornando costumeiro, surgiu a idéia de pegar um violão.

Eu que tô morrendo de saudades do meu instrumento prontamente aceitei. Mas antes fomos chamar um outro camarada que tava demorando. No meio do rolo, aproveitamos e pegamos foi o violão dele - no caso, do Léo.

Alguma afinação depois, o primeiro palpite de música não poderia ter sido mais brega: "Você é Luz" (sim, aquela mesma, do Wando). Não sei qual foi a maior surpresa: o pessoal acompanhando empolgado a canção ou o garçom repreendendo a animação. É que alguns moradores reclamaram do som de carros, do barulho etc, etc, e tinha sido proibido. Mas, caramba, um violão com cordas de náilon é baixo, e ainda fizeram questão? Ah, bar bom é o "Caminho de Casa", onde até o garçom senta pra tocar com a gente!

Não se passaram dez minutos até a gente pedir a conta. Mas durante isso, o pessoal combinou de ir mais tarde pro "Fifó", uma pequena casa de eventos do bairro. Lá toca forró pé-de-serra predominantemente, e baiano gosta muito de forró. E algumas pessoas decidiram ficar pra ir pra esse outro lugar depois. Eu não podia ir. Não gosto de incomodar quando moro na casa dos outros (eu nunca morei na casa dos outros, mas mesmo assim não gosto de incomodar); além disso, ainda tenho amargas frescas lembranças doces do último forró pro qual fui: coisa de gente besta.

Entre a conta do bar e o forró, mais farra. Na casa de um outro colega (camarada, que casa!), o pessoal encostou e tomou umas brejas. Não tardou a enjoarem dos violões e a pedirem forró no som do carro (aquecimento?). E o povo começou lá, se bem que os homens não acompanhavam o ritmo das nossas duas colegas que nos acompanhavam: pedimos arrego!! ("pedimos" não: eu sequer ousei!). Bem, a noite começou com um climão pra mim, fiquei logo com dor de cabeça, precisava ir. Não só eu, um outro colega iria viajar e um outro ia pra casa. O pessoal lamentou a despedida (tá vendo só? É disso que eu gosto na Bahia: gente gosta muito de gente! Claro, não é só na Bahia, mas aqui isso é bem explícito), mas entendeu a ida. Ainda bem que meu busão não demorou tanto, a dor era agora enxaqueca e eu não posso bobear com ela.

O resto da minha noite foi igual a todas as outras - dormir -, a não ser pelo fato de agora ter um locutor de festa no pé do ouvido (estava tendo uma outra festa perto do meu bairro). Custei, mas conseguir cair no sono. Bem, a noite do pessoal foi, segundo me contaram, bastante animada. Pra adiantar detalhes e não citar nomes, posso dizer que o índice de mulheres solteiras na turma caiu.

(Ouvindo: Joe Satriani - Why - The Extremist)
(Não me pergunte, Satriani. Não consigo entender)

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07 Novembro 2006

Projeto de Lei pretende acabar com o anonimato na internet

(Retirado do IDG Now!)

Brasília - Deputado Jefferson Campos (PTB-SP) propõe multa a provedores que não mantiverem dados atualizados dos usuários.

A Câmara dos Deputados analisa a proibição de anonimato para usuários de serviços de correio eletrônico registrados no País. A proposta faz parte do Projeto de Lei 6827/06, do deputado Jefferson Campos (PTB-SP), que determina ainda o registro de dados que permitam a identificação do usuário pelos provedores de serviços de correio eletrônico. O registro deve ser feito no momento do fornecimento do endereço eletrônico.

O projeto estabelece que os provedores deverão registrar, arquivar e manter atualizadas as seguintes informações sobre os titulares de endereços eletrônicos: nome completo, endereço residencial, número de identidade e número do Cadastro de Pessoa Física (CPF).

Além disso, os provedores terão que manter, por um prazo mínimo de um ano, registros de todas as mensagens eletrônicas enviadas por usuário. Endereço eletrônico do destinatário da mensagem, data e hora do envio da mensagem e endereço de rede temporariamente atribuído pelo provedor (endereço IP) ao computador utilizado para o envio da mensagem são os dados que deverão ser guardados.

Os infratores estarão sujeitos ao pagamento de multa, que não será inferior a 10 mil reais e aumentará em caso de reincidência. O autor da proposta afirma que "as regras atualmente vigentes permitem a qualquer um abrir uma conta de e-mail, muitas vezes gratuitamente, sem que para isso precise comprovar sua identidade". Na opinião de Campos, o endereço eletrônico pode ser usado indiscriminadamente na rede, com pouca ou nenhuma possibilidade de identificação do emissor das mensagens, o que dificulta o trabalho policial de investigação dos crimes praticados na internet.

A proposta foi apensada ao PL 3016/00, que regula o registro do acesso a redes de computadores destinados ao uso público. Tramitando em conjunto com o PL 5403/01, que trata do mesmo tema, o PL 6827/06 segue para análise de uma comissão especial, antes de ser votado pelo Plenário.

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Considerações pessoais do Caco: eu não costumo falar muito isso, mas há uma palavra pra esse cara: otário.

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06 Novembro 2006

Será?

"Será": resumo de todos os nossos medos, anseios e desejos. "Será?" exprime surpresa, encatamento, desgraça, vontade, alegria, tristeza. Diz tudo, menos dúvida. Quando dizemos "Será?", não estamos em dúvida; aliás, temos certeza de que não sabemos o que vai acontecer, e ter certeza não é ter dúvida. Estamos supondo. Temos algo na cabeça e queremos pôr à prova. Ficamos excitados: "será?". Ficamos vivos, sentimos que iremos sentir algo. Uma coisa nova à nossa espera. "Será?" é o que nos faz mais humanos, o que não nos faz descansar, que nos faz ir em frente em busca de respostas e mais interrogações. Sem "será?", como ser?

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02 Novembro 2006

Monólogo degenerado

- Você devia era agradecer.
- Mas a vida é injusta comigo.
- Frase mais lugar-comum.
- Mas é verdade. A felicidade não é deste mundo, dizia o poeta.
- Você tá é chato. Vai procurar alguma coisa pra fazer.
- Mas eu tô fazendo alguma coisa.
- Não, você tá é esperando as coisas acontecerem. Toma alguma atitude.
- Tenho medo de agir errado.
- Cagão.
- Queria que fosse você na minha situação.
- Pois eu não queria.
- Você é todo assim. Fica aí só falando merda, mas queria só ver o que você iria fazer.
- Ah, fica quieto.
- Mas é sim. Se fazendo de forte...
- Você só sabe reclamar! Porra, como você é chato! Vai sair, sei lá!
- Eu não quero.
- Então passe a querer. Pois é assim que ass coisas são. Você não pode fazer mais nada.
- Você não entende.
- Ah, não? E quem tava do teu lado o tempo todo?
- Você age como se isso não te afetasse.
- Você acha que não afeta? Afeta sim. Mas eu te garanto que o mundo não acabou.
- "Tente outra vez", é o que quer dizer?
- Não, isso é o que você quer ouvir. Aprender dói, meu querido. Esqueça.
- Às vezes eu penso em pular do barco. Às vezes eu penso em continuar remando.
- Lá vem com as viadagens.
- Saco!
- Você não é direto.
- Você me entendeu!
- Ficar se consumindo por causa disso é doentio. Você precisa continuar.
- Doentio é ficar brigando comigo mesmo.
- Eu tô brigando com você.
- Dá no mesmo.
- Dá nada.
- Tá! Eu não sei, mas eu acho que você esquece muito rápido do que viveu.
- Olha, eu não esqueço. Mas, pra continuar, eu preciso esquecer.
- Então tá, você esquece e eu não.
- Mas isso é impossível. Temos que entrar num consenso. Isso só vai te fazer mal.
- Como você sabe?
- Por acaso você está bem?
- Não, mas eu tenho esperanças.
- Você está esquecendo de quem é. Cadê o pessimismo? Cadê o preparo? Você não era assim.
- As pessoas mudam.
- As pessoas mudam: você deveria entender o real significado do que disse.
- Não use minhas palavras contra mim.
- Eu não estou contra você.
- Mas também não está comigo.
- Estou sim. Virão outras chances.
- Eu não posso simplesmente tomar a pílula vermelha e fingir que está tudo bem.
- Eu sei que não está tudo bem. Mas você só tá piorando. Você tem esperanças?
- Tenho sim.
- Então tenha esperanças de que outras oportunidades virão.
- ...
- Que foi?
- Eu não posso ir de encontro a mim. Isso é o que eu sou.
- Você é assim agora.
- Você sabe muito bem o que me mudou.
- Mudanças são dolorosas, mas você precisa mudar de novo.
- Não gosto de mudar quando mudar significa ignorar.
- Talvez seja esse o seu problema.
- O nosso. Talvez por isso esse conflito.
- Desisto.
- Esse é o seu defeito.
- Você não perde por esperar.
- Exato.

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